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terça-feira, 2 de agosto de 2016

Ícones: Benin

Insígnia real (Omama), Reino Owo, Yoruba, Benin, séc. XVII-XIX. Col. Metropolitan Museum of Art.

Dinheiro, D. Afonso Henriques, Portugal, séc. XII

Hermes Trismegistus (Toth, Enoch, Mercúrio, S. Miguel), Grécia, 500-475 a.C. Senhor dos Três Mundos, o Iniciador da Humanidade.

Khnum, deus da Criação do Homem, Egipto, c. 2600-2200 a.C. "O criador das coisas que são, o criador das coisas que virão a ser, a fonte das coisas criadas, o pai dos pais e a mãe das mães (...) o oleiro, o tecelão, Senhor do Nilo e do Egipto, Governador da Casa da Vida, Senhor da Terra e da Vida, Governador dos prazeres da Câmara do Ankhet" (Livro dos Mortos, Papiro de Ani, c. 1300 a.C.)


segunda-feira, 4 de julho de 2016

Mágicos: Petrus Christus

Petrus Christus (c. 1410 a 1420 - 1473), O Juízo Final, 1452. Col. Gemäldegalerie, Berlim

O mais hermético dos pintores flamengos nunca foi igualado nesta visão de São Miguel e do que ele representa numa longa tradição de Iniciadores: avatar do poder de transmutação da mente, o que ocorre em cada juízo que reconhece, e escolhe, por entre o fluxo aleatório mente-matéria, o fio que é ou virá a ser ordenador geométrico na direção da beleza e do Bem.

O Juízo Final nada tem a ver com pecadores ou a Humanidade. Acontece numa cabeça. O Arcanjo S. Miguel representa as faculdades de agir para desencadear ou defender a invocação do bem como princípio ordenador, oposto à simples aleatoriedade da matéria inorgânica e da vida sensorial primitiva que ainda mantêm desordenado o fluxo do Ser. Por isso tem por atributos a espada que recorta e o escudo que proteje. Por acaso representam também a proporção aúrea na sua geometria estelar mais visível neste planeta, constelação à qual os homens primeiro ergueram dolmens e depois os telhados de todas as casas em homenagem... Tudo é fractal.

terça-feira, 14 de junho de 2016

Mágicos: António Teixeira Lopes

António Teixeira Lopes (1866-1942), A Viúva, 1893. Col. Museu Nacional de Arte Contemporânea (Chiado).

António Teixeira Lopes, s/ título, s/ data. Col. Armando Almeida.

A obra que consumou o Romantismo em Portugal e o escultor que deu formas à experiência humana do tempo.

domingo, 8 de maio de 2016

Mágicos: Joel-Peter Witkin

Joel-Peter Witkin (n. 1939), Woman once a Bird, Los Angeles, 1990.

Man Ray (1890-1976), Le Violon d'Ingres, 1924.

Jean-Auguste Dominique Ingres (1780-1867), La Baigneuse de Valpinçon, 1808, col. Louvre.

Nas fusões improváveis de vida e morte, através da História da Arte, Witkin acende a intuição de um presente permanente, onde "tudo" e "agora" coexistem numa galeria de imagens total; e demonstra que a mente age sobre a matéria que age sobre a mente.

sábado, 7 de maio de 2016

Mágicos: Nan Goldin

Brian ao telefone, Nova Iorque, 1981.
 
Percebia que a obra da Nan Goldin era magia, mas não sabia propor uma razão para isso até ver esta fotografia: ela trasnforma-se só em empatia, através da máquina, para mostrar o ângulo a partir de onde todos os seres humanos são profundamente amáveis.

sábado, 16 de abril de 2016

Mágicos: Lucas Cranach

Salomé com a Cabeça de S. João Batista, Lucas Cranach (o velho, 1472-1553), c. 1510-15. Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa.

Uma das "cópias de segurança" do Ocidente: uma Salomé luxuosa e venal, filha de uma mãe mundana e com medo, retrato do egoísmo que nasce da ignorância. Ou o resumo do combate fundamental: compaixão vs. ego, amor vs. ignorância, bem e mal.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Portugal, Cem Limites: Mens Agitat Molem

 
Castro de Santa Tecla, Idade do Ferro, A Guarda, Galiza.

Compreende-se melhor a identidade dos povos do oeste da Península depois de visitar este lugar: a foz do Minho, no último extremo da terra antes do Atlântico. Aqui fez-se Galiza e Portugal antes de nascer Cristo e conhecia-se o símbolo da mais antiga cosmogonia: Ar, Fogo, Terra, Água e Espírito ou Verbo, Luz, Matéria, Vida e Vontade para sublimá-la. Longa vida aos filhos dos gróvios!

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Mágicos: Brancusi

Young Bird (Pássaro Jovem), 1928, col. Museum of Modern Art, Nova Iorque. (c) Artists Rights Society, Nova Iorque/ ADAGP, Paris

The Newborn (O Recém-Nascido), 1915.

"O que é real não é a forma aparente mas a ideia, a essência das coisas." Constantin Brancusi (1876-1957)

Num percurso que vai desde a admiração das formas primordiais da escultura africana à utilização da esfera alongada no valor de Phi como bloco de construção, Brancusi provou outra realidade que não vemos e descobriu que as ideias têm forma. Os puros arquétipos tornam-se reais!

Ícones: R.D. Congo

Nkisi-Nkondi, Kongo-Yombe, referidos também como Bacongo (do baixo Congo), séc. XVIII-XIX, col. Barbier-Mueller. Os nkisi são feitiços/ entidades criadas pelos povos da bacia do Congo para combater os maus espíritos e punir malfeitores. Os pregos e lâminas eram cravados para despertar o poder da entidade sempre que era invocada e serviam também para selar um pacto com quem pedia um resultado. Os nkisi de uso coletivo eram Nkondi, muito mais poderosos; alguns estiveram ativos por gerações, tinham nome e reputação.

Constantin Brancusi, The First Step, 1914. O corpo desta escultura foi destruído pouco tempo depois pelo escultor e a cabeça transformada na obra The First Cry, o que é coerente com a direção menos figurativa que seguiu no seu trabalho, em busca das formas essenciais e da linha que une todas as coisas.

"Desfiz a matéria para encontrar a linha contínua. Quando compreendi que não a encontraria, parei..." (Brancusi). Na verdade, se alguém já encontrou essa linha terá sido ele.

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Ícones: Bamana

Máscara koré surukuw (hiena), Bamana, Burkina Faso ou Mali, séc. XIX, col. Heini Schneebeli. (c) Bridgeman Berlin. A sociedade Koré é a sexta e última do percurso de iniciação dos Bamana, a que concede o conhecimento do deus Criador; está ainda dividida em oito graus, onde os surukuw ocupam o 6.º. Quando dançam, representam a perfídia e a "baixa" inteligência humana na ilusão de compreender a inteligência divina, como a vida da hiena se compara à do leão.

Maiastra, 1910-18, Museu Guggenheim. "Quis mostrar o Maiastra (pássaro mítico da cultura popular romena) a erguer a cabeça, mas sem sugestão de orgulho, altivez ou desafio.." Constantin Brancusi

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Portugal, Cem Limites: Algarve (Silves), séc. XII

Lápide e bocal de poço, Silves, séc. XII, Museu Arqueológico Municipal. No Gharb Al-Andalus vivia-se o período moçárabe, mas haveria uma escola que ensinava uma harmonia maior?
 
Primeira síntese medieval do tetragrama hebraico e da trindade cristã, por Petrus Alphonsi, judeu Andalus convertido ao cristianismo no início do séc. XII. Explica o antigo nome de Deus nas interseções da trindade trifronte - a causa do começo e (da consciência) do ser.

Ícones: Fang, Baule e Max Ernst

 
 
Máscara Goli Kple-Kple, Baule, Costa do Marfim, séc. XIX, col. Brooklyn Museum. Usada em celebrações coletivas pela sociedade Goli, numa dança de quatro máscaras em pares que representava sucessivamente a juventude e a idade adulta, o papel social de mulheres e homens; a kple-kple figuraria o espírito masculino juvenil na sua ambiguidade, de alegria criadora e de potência destrutiva.
 
 
Guardão de altar-relicário (éyéma-o-byéri), Fang (cultura ntumu), Gabão ou Camarões, séc. XIX, col. particular. Expo. e publ.: 1936, Jacques Seligmann Gallery; 1937, Brooklyn Museum. Yale - Van Rijn African Art Archives. (c) Sotheby's


Max Ernst, Moonmad, 1944, col. Philadelphia Museum of Art. (c) Artists Rights Society (ARS), New York / ADAGP, Paris

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Portugal, Cem Limites: Lusitanos e Gróvios, séc. I

Guerreiros Lusitano-Galaicos, c. I a.C - I d.C., Castros do Noroeste. Museu Nacional de Arqueologia.
Mens agitat molem.
 
Símbolos gróvios, Castro de Santa Tecla (séc. I a.C - I d.C.), A Guarda, Galiza. Os Gróvios habitavam a região do vale do rio Minho até ao rio Douro e o historiador romano Plínio atribuiu-lhes uma origem grega, possivelmente, e não celta.
 
Moedas da Cilícia (Anatólia, costa do Mediterrâneo), c. V a IV a.C., durante o período de domínio grego e aqueménida. O touro bicéfalo encontra-se também nos capitéis de Persepolis. Um deus trifronte é outra figuração possível dos mesmos símbolos, adaptado depois pelo Cristianismo na trindade e, de forma quase livre, em alguma iconografia renascentista de Jesus Cristo.

domingo, 24 de janeiro de 2016

Ícones: Guiné-Bissau

Garça, Bijagó, Guiné-Bissau, séc. XX.

A arte interroga a geometria invisível do mundo. Quando encontra um arquétipo verdadeiro, ele é também universal. Os pássaros criados por Brancusi são todos os pássaros. Os dos Bijagós, também.

Constantin Brancusi, Dois Pinguins, 1911/14, col. Art Institute of Chicago; Três Pinguins, 1911/12, col. Philadelphia Museum of Art.

Constantin Brancusi, Pássaro no Espaço (1923), versão negra, 1936.

Ícones: Gana

Boneca de fertilidade, Fante, Gana, séc. XIX-XX.
 
Jean (Hans) Harp, Schalenbaum ("taças sobrepostas"), 1947/ 1960, col. Fondation Beyeler. Fotog. Robert Bayer, Basileia. O título é posterior e provavelmente ignora o sentido orgânico da obra.

Ícones: Burkina Faso

Flauta, Nuna, Burkina Faso, séc. XIX-XX.
 
Max Ernst, O Rei a jogar com a Rainha, 1944, col. Museum of Modern Art, Nova Iorque

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Mágicos: Albrecht Dürer

 
Albrecht Dürer (1471-1528), Melencolia, 1514.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Mágicos: Almada Negreiros

Quadrante I, 1957.
Almada (São Tomé e Príncipe, 1893 – Lisboa, 1970)

O magnífico desenhador e colorista, um dos maiores de sempre, terminou a sua obra a procurar a última harmonia geométrica. No mural Começar, na Gulbenkian, gravou o mítico ponto de Bauhutte, onde se reúnem círculo, triângulo e quadrado.

Partida de Emigrantes, 1943-45, tríptico na Gare Marítima da Rocha do Conde de Óbidos em Lisboa.

Portugal, Cem Limites: D. Afonso Henriques, 1140

As armas e os barões assinalados na cruz morta do mundo partiram e entre gente remota edificaram a rosa que é a Vida novo reino que tanto sublimaram: vede-o no vosso escudo que presente vos mostra a vitória já passada na qual vos deu por armas e deixou a liberdade. 

Rex Portugal. Primeiro momento conhecido em que Dom Afonso Henriques assinala como Rei de Portugal: a Carta de doação do Couto de Villa Menendi e Santa Maria de Estela ao Mosteiro de Tibães, em julho de 1140. Arquivo Nacional Torre do Tombo.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Ícones: Mali

Máscara, Dogon, Mali, séc. XIX-XX, col. particular. (c) Zemanek-Munster

Hans Harp (Jean Harp), Cabeça-Paisagem, 1924-26, col. Centre Pompidou, Paris. (c) ADAGP, Paris

Ícones: Gabão

Byeri, Fang (cultura mvai), Gabão, séc. XIX. (c) Gérard Bonnet. Guardião de altar-relicário, colocado nos ossários de antepassados. Exp."Byeri Fang, sculptures d'ancêtres en Afrique", Musée des Arts Africains Océaniens et Amérindiens.

Amadeo Souza-Cardoso, Sur La Terrasse, c. 1913